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Escola Judicial encerra seminário de atualização de mediadores e formadores com palestras sobre abordagens sistêmicas do direito

Os participantes do 1º Seminário de Atualização de Mediadores e Formadores em Mediação do TRT-15 tiveram, na tarde desta quinta-feira (13/6), durante as duas últimas atividades pedagógicas do curso oferecido pela Escola Judicial da Corte, contato com novas abordagens na resolução de conflitos, com destaque para as possibilidades oferecidas pelas chamadas "constelações familiares". Foram palestrantes as juízas Wanda Lúcia Ramos da Silva, titular da 16ª Vara do Trabalho de Goiânia, e Bruna Müller Stravisnki, magistrada substituta fixada em Piracicaba, e a servidora aposentada Mara Regina Barosi.

As constelações familiares são um método terapêutico desenvolvido pelo alemão Bert Hellinger para, entre outras possibilidades, auxiliar as pessoas a superar dificuldades pessoais e problemas de relacionamento. Para isso, o constelador analisa os sistemas familiares dos participantes.

"Juízes e servidores não devem ser consteladores. São técnicas que podem ser utilizadas em projetos especiais, em casos específicos", afirmou a juíza Wanda Lúcia Ramos da Silva. Para a magistrada, que destacou não abrir mão do direito positivado, as constelações oferecem a possibilidade de interpretações sistêmicas do direito, mais humanizadas, que sempre levem em conta as pessoas que estão por detrás dos processos, não apenas os dados jurídicos.

Entre as abordagens sistêmicas do direito nas conciliações detalhadas pela magistrada está a preocupação de solucionar as verdadeiras causas do conflito, não apenas as disputas de valores. Como exemplo, a juíza Wanda Lúcia apresentou o caso de um processo em que reclamante, reclamada e um dos advogados eram da mesma família. A lide jurídica tratava de um pedido de reconhecimento de vínculo entre as partes. Mas, durante a audiência, ela constatou que havia ali um conflito familiar. "Ser juiz não é separar por uma sentença. Ser juiz é unir aquilo que as pessoas pensam estar separado", disse.

Outra possibilidade de utilizar as constelações familiares na resolução de controvérsias é a identificação, nas partes e no conflito, de desequilíbrios em três princípios das constelações familiares, nomeados "parâmetros de regularidade" pela juíza Wanda Lúcia. São eles a necessidade de pertencimento das pessoas a grupos, a necessidade de hierarquia nas relações e o equilíbrio entre o dar e o receber nos relacionamentos, inclusive nos profissionais.

Olhares sistêmicos na 15ª Região

Uma das unidades do TRT-15 a utilizar os princípios das constelações nas conciliações é o Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas da Justiça do Trabalho (Cejusc-JT) de Piracicaba. "Nós, que possuímos uma formação cartesiana, costumamos colocar um ponto de interrogação em olhares sistêmicos para o direito. Eu tento praticar as condutas que são sistêmicas para facilitar a pacificação social, função primordial da Justiça do Trabalho", afirmou a juíza Bruna Stravisnki.

A prática chegou à unidade por meio da servidora Mara Regina Barosi, atualmente aposentada. "Procurei as constelações para entender os meus emaranhados internos. Foi então que percebi que era possível levar a prática para as mesas de conciliação", explica. Ela destacou que os conhecimentos adquiridos com o método terapêutico, sobretudo a prática de uma escuta ativa e livre de julgamentos, auxiliam a compreender a lide oculta no processo. "Muitas vezes o problema que uma das partes busca solucionar no Judiciário não está com a outra parte. É algo que pertence ao campo familiar dela", afirmou.


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