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Escola Judicial abre o projeto Direito em Tela com o filme Que horas ela volta?

Concluída com uma sessão de debates, foi exibido na sexta-feira (8/3) o filme "Que horas ela volta", como parte da atividade "Direito em Tela", no auditório 1 da Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, organizadora do evento. Ao dar as boas-vindas ao público, os desembargadores Maria Inês Corrêa de Cerqueira César Targa e Ricardo Regis Laraia, respectivamente diretora e representante dos desembargadores no Conselho Consultivo da Escola e curador do projeto, cumprimentaram as mulheres (a quase totalidade dos presentes) pelo Dia Internacional da Mulher. Prestigiaram a exibição magistrados, servidores, estagiários e terceirizados do TRT-15.

Que Horas Ela Volta? foi escrito e dirigido por Anna Muylaert e trata dos conflitos que acontecem entre uma empregada doméstica e seus patrões, criticando as desigualdades da sociedade brasileira. Em dezembro de 2015, foi eleito um dos cinco melhores filmes estrangeiros do ano pela organização norte-americana National Board of Review. No mesmo mês, foi eleito o melhor filme do ano e entrou na lista dos 100 melhores filmes brasileiros segundo a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

Na abertura dos trabalhos, a desembargadora Maria Inês ressaltou o alto índice de violência contra a mulher atualmente verificado no País e conclamou que sejam enfrentados todos os tipos de discriminação. "Em um dia tão especial, vamos assistir a um filme muito especial. Nós precisamos nos transformar, precisamos voltar a nos emocionar", acrescentou.

Segundo o desembargador Laraia, a ideia da série de filmes é debater o Direito e a sociedade. A escolha do primeiro, segundo ele, teve relação com a data comemorativa. Após elogiar a qualidade do longa-metragem, ele destacou que a obra traz mulheres como os principais personagens. Em relação à questão dos empregados domésticos, o magistrado ponderou que "avançamos no campo legal, mas temos que alavancar no social".

"Quase da Família"

Ambientado na Zona Sul de São Paulo, o filme conta a história de Val (Regina Casé), uma pernambucana que deixa sua terra natal e vai para São Paulo à procura de uma vida melhor. Ela trabalha como empregada doméstica na casa do casal Carlos (Lourenço Mutarelli) e Bárbara (Karine Teles). Nessa residência ela faz de tudo: lava, cozinha, põe a mesa, retira os pratos, além de cuidar de Fabinho (Michel Joelsas), a quem ela dispensa todo carinho de mãe, já que foi obrigada a deixar sua única filha no nordeste.

Bárbara é uma estilista famosa que está sempre ausente, em compromissos externos. Diante disso, surge a frase "que horas ela volta?" Assim, em decorrência da ausência materna, Fabinho cria um vínculo afetivo muito grande com a empregada.

Tudo sairá da rotina com a chegada de Jéssica (Camila Márdila), filha da empregada que vai pra São Paulo prestar vestibular para Arquitetura. Ela é uma menina inteligente, questionadora e está longe de se submeter às regras impostas pela dona da casa onde mora. O filme faz uma crítica às desigualdades sociais e à maneira como as empregadas domésticas foram e são tratadas pelas classes média e alta.