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Em Sorocaba, comitiva do TRT-15 e representantes do consulado da Suécia visitam projeto de integração de trabalhadores com deficiência premiado pela ONU

 
A presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, desembargadora Gisela Rodrigues Magalhães de Araujo e Moraes, e o presidente do Comitê de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem da Justiça do Trabalho da 15ª Região, desembargador João Batista Martins César, acompanharam, na quinta-feira, 10/10, o cônsul-geral e o vice-cônsul suecos, Renato Pacheco Neto e Peter Johansson, respectivamente, em uma visita à Real Alimentos (Padaria Real), de Sorocaba. O assessor econômico do TRT-15, Roberto Koga, também participou da comitiva.
 
O TRT-15 e o Consulado da Suécia no Brasil têm estreitado relações nos últimos anos. Visitas institucionais têm construído parcerias, principalmente em questões sociais, como o apoio do Consulado ao reconhecimento internacional de entidades brasileiras que trabalham pela inclusão. Em 2018, representantes do Tribunal integraram a delegação brasileira que foi a Estocolmo (Suécia) participar de missão institucional no Fórum Global da Criança (Global Child Forum), onde foram apresentadas ações do TRT-15 no combate ao trabalho infantil e estímulo à aprendizagem.
 
 
O fundador da Real Alimentos, José Vicente de Souza, seus filhos José Eduardo de Souza e Marisa de Souza Vieira, e Marcelo Pires, diretor da Consolidar, empresa de assessoria na gestão da inclusão, receberam os visitantes.
Em 2018, a empresa foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) com a concessão do prêmio "Boas Práticas de Empregabilidade para Trabalhadores com Deficiência". Em 2019, a rede foi agraciada pelo TRT-15 pelo seu trabalho de inclusão social de Pessoas com Deficiência (PcD) com o Grande Colar da Ordem do Mérito Judiciário da 15ª Região. 
A Real tem cerca de 750 funcionários em suas quatro unidades de Sorocaba, sendo que cerca de 35 têm algum tipo de deficiência e cerca de 40 são menores ou jovens aprendizes, alguns deles em situação de vulnerabilidade social. De acordo com os responsáveis pela empresa, a maioria dos aprendizes é efetivada após o término do contrato.
 
 
A presidente Gisela Moraes, que já havia conhecido a iniciativa em maio deste ano, reviu os amigos que fez na última visita. No almoxarifado, a comitiva falou com os conferentes Reginaldo Nagatomo e Alan Costa, que têm baixa visão e visão monocular, respectivamente. Os funcionários explicaram como utilizam uma lupa eletrônica como ferramenta de trabalho. 
O padeiro Odirlei Souza de Lima conversou com os visitantes no setor chamado "filãozinho". Adenilson Pereira, o Baiano, recebeu a comitiva no setor de salgados, onde trabalha Samuel da Silva Mendes, que também é PcD. 
 
 
No empacotamento, a comitiva conheceu Jady Oliveira de Lima, auxiliar de produção recém-contratada. Deficiente visual, Jady disse que ficou muito nervosa antes de começar a trabalhar, mas que foi acolhida por todos os empregados e destacou o ótimo ambiente de trabalho. Ainda no empacotamento, Celso Inácio dos Santos contou um pouco de sua história e dificuldades. Celso, que é cego, é um funcionário experiente e domina todas as funções do setor embalagem. Ele relatou que, antes de trabalhar na Real, algumas empresas o admitiam apenas para cumprir cotas legais, e que "chegaram a me mandar ficar em casa". Hoje, contudo, Celso diz que está "realizado por se sentir útil".
 
 
No setor de pães, aconteceu uma confraternização. Entre outros funcionários da empresa, Carlos Donizete Torres, o Carlão, Eli Samuel dos Santos e Fauze Kamel Abdouni ofereceram à presidente Gisela Moraes um bolo com a logomarca da Justiça do Trabalho e do TRT-15. Eli contou suas conquistas provenientes do trabalho na Padaria e falou sobre seus planos de comprar um carro. Fauze, que é natural do Líbano e ficou surdo aos sete anos, vítima da explosão de uma bomba durante a guerra em seu país, contou sua história com uma expressão corporal e linguagem de sinais próprias - ele não utiliza Libras. 
 
Doadores de amor
 
 
Felipe de Oliveira Mariano, que é atendente-líder da filial da Real no bairro Campolim, de Sorocaba, acompanhou toda a visita e, na sala de treinamento, onde ocorreu uma reunião de avaliação, dividiu seu entusiasmo com os visitantes. Felipe disse que "aqui na Real eles acreditaram e investiram em mim".
 
 
O cônsul-geral da Suécia, Renato Pacheco Neto, afirmou que, "de uma maneira ou de outra, todos nós temos algum grau de deficiência". Ele registrou também que "a força de vontade é a energia e o combustível que move essas pessoas com deficiência" e acrescentou que o que achou mais interessante na experiência da Padaria Real foi a "naturalidade com que vocês integram as pessoas com e sem deficiência". 
 
 
A desembargadora Gisela Moraes sublinhou a equidade no tratamento entre os funcionários e elogiou a política de inclusão social da empresa. "O que mais nos impressiona é o tratamento absolutamente equânime, sem distinção ou imposição de limitações nas funções exercidas por todos os empregados, com ou sem deficiências aparentes". A presidente do TRT-15 também falou da naturalidade com que atualmente a sociedade e, principalmente as novas gerações, tratam as Pessoas com Deficiência, e deu como exemplo a situação dos portadores de síndrome de Down. "Hoje em dia, eles são estimulados desde o primeiro dia de vida e se incluem com facilidade. Quem convive com uma pessoa com essa condição agradece porque eles são absolutamente doadores de amor."
 
 
 
 

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